Ser jornalista de Moda é mais do que narrar desfiles ou comentar roupas, é se dedicar a um mundo que alimenta o imaginário individualista do homem moderno. Uma das áreas que mais movimenta capital, a Moda faz parte do cotidiano: é um fenômeno político, antropológico e, acima de tudo, social.
Roupas são sonhos que se concretizam. E como sonhos, devem transmitir essa idéia para quem compra ou quem veste. Jornalismo é um retrato da realidade. Sua função é informar e transmitir informações verossímeis. Juntos, o jornalismo e a moda têm uma complicada tarefa: um fala de sonhos, outro da realidade.
Falar sobre jornalismo de moda seria unir essas duas pontas da corda, que vão para lados contrários. O jornalismo tem que transformar o sonho em realidade, em algo palpável. Seria como se contar uma história. Transformar sonho em realidade é saber como contar a quem vê a peça, o que a peça poderá fazer por ela, o que ela representa e que cargas de emoção acompanham aquela composição. Roupa não é tecido, é a elaboração e a reunião de sentimento, linha e agulha.
Um grande erro na cobertura de moda tem sido se ater exclusivamente às pessoas, e se descartar o objeto de criação em si. Muitas revistas de moda já perceberam isso e começaram a modificar o foco de atuação, dirigindo suas publicações para o evento, um acontecimento, algo factual.
O que podemos notar é que com a massificação dos símbolos, a cobertura jornalística de moda foi tomada por um caráter extremamente comercial, em que marcas e pessoas possuem uma espécie de valor absoluto acima da moda em si mesma. Mas isso é necessariamente ruim? Se admitirmos que a moda é manifestação e objeto último da exteriorização da identidade do homem, admitimos também que há uma necessidade de se diferenciar através dessa identidade.
Há uma grande confusão nesse meio, hoje, em que falar de moda se tornou o mesmo que falar de artistas. Talvez daí venha a famosa crença de que a moda é algo fútil, sem sentido e coisa de quem não tem o que fazer.
Um exemplo a ser seguido seria o do jornalista John Fairchild, que escolhia as pessoas que trabalhavam com ele por seus textos e persistência em conseguir furos. Uma das descrições a seu respeito é de alguém que lutava por suas matérias, desafiando estilistas, como Giorgio Armani. Fairchild dizia que é estúpido descrever roupas.
O século XXI trouxe novas responsabilidades para o jornalista de moda. A globalização representa um maior dinamismo na captação e transmissão de informações. Basta um clique no computador para que desfiles e lançamentos, mostrados em Milão, Paris, Nova Iorque, São Paulo, Rio, Curitiba sejam acompanhados, em tempo real, em qualquer canto do mundo. Informações que estão acessíveis tanto para o jornalista como para o público.
Como conseqüência, o público tem mais informações sobre moda e se torna mais exigente quanto à qualidade, ao conteúdo da divulgação. A moda transformou-se em assunto para milhões de pessoas – eventos como São Paulo Fashion Week e Fashion Rio contribuíram para que lançamentos e atrações de cada temporada conquistassem um espaço privilegiado na mídia brasileira.
O jornalista tem como responsabilidade principal, neste mundo globalizado, aproximar-se do foco de interesse do seu público, conhecer suas expectativas e principalmente tornar-se um porta-voz do que acontece no seu ambiente, na sua cidade. Este é o grande diferencial nos dias de hoje em coberturas e divulgação de qualquer assunto em jornais, revistas, sites. Quando todo mundo tem acesso a informações globalizadas, o jornalista assume o papel de divulgar o que acontece na sua aldeia, fala de sua cidade para o mundo e o público passa a ser uma de suas mais importantes fontes de informação.
Uma dica para quem se interessa por esta profissão é ver o filme O Diabo veste Prada, onde Andrea (Anne Hathaway) é uma jovem que se muda para Nova York a fim de tentar uma carreira como jornalista. Ela consegue um emprego na maior revista de moda da cidade, editada pela poderosa Miranda Priestly (Meryl Streep), mas tem sérios problemas com as exigências do novo emprego, incluindo as tarefas absurdas ordenadas pela chefe.